Buscando por quê

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
O homem que não tinha pés deu a ele os sapatos que não precisava mais.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
Ele comeu o homem que não tinha pés e continuou tentando descer o Everest, até perder os pés e encontrar outro homem que não tinha sapatos.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
Logo, voltou a chorar. O homem que não tinha pés usava sapatos nas mãos.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
Ele achou que dessa vez ninguém ia pisar nos seus dedos, mas o homem que não tinha pés se atrapalhou com as muletas assim que começaram a dançar.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o plácido homem que não tinha pés.
E prosseguiu chorando. O homem que não tinha pés nasceu sem os pés; o homem que não tinha sapatos já havia experimentado sapatos.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
“Finalmente, amor, te encontrei”, disse o primeiro, e terminaram juntos de cruzar a fronteira.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
O homem que não tinha pés tinha umas próteses muito massa. Coisa de filme.

O homem que não tinha sapatos chorou até encontrar o homem que não tinha pés.
Ele se contentou com tal ausência de pés.
Seu comportamento foi considerado uma lição de sabedoria e mencionado nos almanaques por muitos anos.

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