faz de conta que é turista

Há uma hipótese mais plausível. É a de que, sacando tudo isso, o DJ fizesse só para agradar. Talvez até cumprindo ordens.

 

Era uma vez, eu frequentava uma boate chamada Amadeus. As pessoas que iam lá tinham entre 13 e 18 anos, e todas seguiam a moda.

 

Numa altura mais para a derrocada do lugar, tocava na rádio o refrão “sou playboy filho de papai, sou um débil mental, somos todos iguais”. O DJ do Amadeus resolveu botar isso na pista toda semana, e eu saía como forma de protesto e também para beber mais um alexsander. Os meninos, porém, ficavam lá, pulando juntos, felizes da vida. Acusados de playboys.

 

Muitos desses meninos, a maioria talvez, eram contínuos (gostaram?) com liberdade financeira para, depois de 44 horas, pagar entrada para fazer valer o dinheiro gasto antes no ted lapidus e na camisa de listras verticais. Meninas: “esse é boy… de escritório”.

Muitas dessas meninas eram recepcionistas. Desdenhar era parte de todo o gigantesco esforço que elas faziam.

 

Eu estava ali em missão normalizadora. Deixava os óculos em casa e não enxergava nadica, por isso perdi um menino que eu gostava.

Perco também os recentes votos para cronista: nunca consegui observar o DJ. De modo que não posso entender o que o levava a projetar em Gabriel Pensador seu desejo de ter senso crítico, nem como ele foi tão facilmente enganado pela propaganda que aqueles meninos faziam de si mesmos.
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